domingo, 28 de março de 2010

Corriqueiro.

Levantei para um novo dia.
Levantei porque vivo estou.
Novo dia se repete
Novo de novo.
Velho.
Levantei para morrer.
Porque vivo cada dia
Se não estivesse vivo
Morto eu estaria.
Levantei, mas não porque queria
Já era dia.
A cabeça doía
Mas levantei.
Levantei mas não estou vivo
Eu apenas sobrevivo
Eu existo.
Estou existindo porque levantei

Um dia eu não levanto
Novo dia
Levantou as pessoas.
Abre a porta e vai
(sobre)viver.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Desejo qualquer.

Não vai te fazer falta
Contando que você sempre tenha alguém para garantir sua noite
Fica tudo ok.
Mas eu,
Eu meu caro,
Morro,
Porque não me basta a embriagues de cada noite
Sou egoísta
Quero você, quero me satisfazer
Quero tudo do meu jeitinho
Sou mimado.
Olhando bem, quero qualquer um que
Se disponha a ser perfeitinho.
Vou sonhando
Ser alguém que eu não sou
Ter alguém que eu não mereço.
Eu não falo nada, vou calado
Quando você me confronta eu estremeço.

Mas no fundo, no fundo
Só desejos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ne me quitte pas.

Beijos roubados de uma boca que não estava sóbria
E eu achando que você não sabia
e eu achando que você esquecia
Me martirizei quando você me empurrou
Negociei com a consciência e fingi o que não deveria
E quando eu não estava em mim,
Quando fui aquilo do qual ri,
Tudo que repudiei, tudo o que eu odeio
Você sempre soube, não esqueceu
Isso me doeu
Cada palavra que eu merecia,
Até hoje me mata e me aniquila
Os papeis se inverteram
Você não me aceitou e nem por isso foi embora
Não sou corajoso, não fui consolado
O ciumes me consome por eu não estar do seu lado.

domingo, 21 de março de 2010

Consumir e ser consumido.


Eu pego um produto qualquer na prateleira, só pra ler o rotulo dele.
Quantas colorias eu engordo se comer isso?
Qual a quantidade de sódio?
Qual o gosto musical? Porque hoje em dia todos tem que ter um.
Será que é um produto mpb? Talvez um metaleiro ou então uma micareta.
Contém Glúten? Parece que não
Mas pelo visto tem fenilalanina.
Cadê a parte que fala se é hetero, gay ou bi?
Ué! Esse produto tem que ter essa informação, ele tem que ser alguma coisa.
Ta com cara de que é colorido artificialmente.
Será que tem refil?
Esse produto ta com cara de ser pra pobre
Opa, eu vi uma senhora entrando com ele num carro de luxo.
Levo ou não?
Essa embalagem ta tão feia.
Como eu vou servir isso para os meus convidados?
O que será que eles vão pensar de mim?
Onde eu vejo se a empresa é ecologicamente correta?
Ah ta aqui, é reciclável.
Mas olhando melhor parece que só gente promiscua consome isso.
Nossa mas teve uma vez que eu vi esse produto sendo vendido naquela festinha da igreja.
Ok eu vou levar.
E se for propaganda enganosa?
Eu não to achando o número do SAC nesse rotulo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Serpente.

Tenho a alma solenóglifa.
Todos os dias tento recusar meu veneno
Não é o que acontece.
Sou rastejante, sorrateiro
Sou tudo, menos o que eu quero.
Tenho de tudo, mas ainda acho o que me falta.
Você não me vê, estou sempre na espreita
Vou comendo, só pra sobreviver
Vou sobrevivendo só pra viver.

terça-feira, 9 de março de 2010

Dentro do banheiro.

Entrar no banheiro todo dia, ritual de tirar a roupa e olhar as marcas do meu corpo. No espelho da pra ver tudo, durante o dia agente pode até não perceber, mas é inevitável não ver os reflexos. Debaixo do chuveiro, eu escorro junto com a água, o sabão e qualquer outra coisa. Sentado no vaso eu me demoro mais do que devia, dou descarga varias vezes. Eu abro os armários à procura de um sabonete que não existe, um creme que já acabou, um pente que estragou, um shampo que está com data de validade vencida. Vasculho as gavetas. Abro as caixas de remédio para ler as bulas, pra saber o que cada um faz e quais os efeitos colaterais. Uma ultima checada no espelho, opa essa marquinha aqui da pra esconder. Abro a porta e saio.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Incompetente.

Falar
escrever
expressar
ser amigo
consolar
ser filho
ser estudante
amar
pensar.
Sou uma fraude. Não sou nada.
Sou é chato de ficar reclamando.
E dai a vida segue.

terça-feira, 2 de março de 2010

Nem mesmo o tango.

O que fazer quando se sabe que a morte está no corpo?
Já não se sente os mesmos prazeres de antes, as pernas já não andam, só engatinham
A boca está seca, assim como a pele e tudo fica murcho.
O corpo que amou, que sentiu gostos, texturas, brisas, aromas, que gerou vida, que viveu!
Agora está traindo a si próprio.
O que fazer quando não se têm forças nem mesmo para dançar o tango argentino?
E durante os dias ouvir os soluços e lamentações de quem agente achava que não deveria chorar?
A minha vida é incerta, mas, triste é a vida que é certa.
É certo que iremos acabar, é triste que alguns vão sofrer.
Enquanto isso não vou ficar de "pré-luto".

Estado.

Estou doente.
Sintomas:
Febre, dor de garganta, indisposição, pensamentos variados e incostantes, insatisfação com o corpo e comigo mesmo, baixa imunidade, formação de ínguas, baixa alto estima.
Diagnóstico:
Se alguém tiver um me fale, porque eu não sei qual medicamento usar para combater essa doença.